O cineasta mais azarado do mundo

O talento visual do diretor Terry Gilliam é proporcional à sua falta de sorte. Raros foram os momentos de paz e quietude no sets de filmagens ao longo dos seus mais de 30 anos de carreira.

O último revés ocorreu na semana passada. Heath Ledger, astro do próximo longa de Gilliam, The Imaginarium of Doctor Parnassus, foi encontrado morto em um apartamento de Nova York.

Como Ledger (abaixo, nos bastidores de Parnassus) ainda não havia terminado de rodar suas cenas, Gilliam agora quebra a cabeça para encontrar uma forma de concluir o filme.

De acordo com o veterano Christopher Plummer (o capitão Von Trapp de A Noviça Rebelde), uma das soluções seria usar outro ator, sem descartar as cenas de Ledger. A idéia é plausível porque a “trama lida com magia”, justificou Plummer à revista “People”.

A produção, no entanto, está paralisada por tempo indeterminado.

O histórico de infortúnios de Terry Gilliam é longo:

– Os executivos da Universal Pictures acharam o final de Brazil – O Filme (1985) muito pessimista, e o lançaram com um ‘desfecho alternativo”. Gilliam travou uma batalha pública contra o estúdio para que sua versão prevalecesse.

– Situação semelhante ocorreu com Os Irmãos Grimm (2005), também estrelado por Heath Ledger. Os poderosos irmãos Weinstein (então chefes do estúdio Miramax) “tomaram conta” da produção, despedindo pessoalmente membros da equipe e impondo uma edição diferente da vislumbrada por Gilliam.

– A produção de As Aventuras do Barão de Munchausen (1988) – que já era cara – enfrentou cortes no orçamento, por causa de mudanças na direção da Columbia Pictures.

– Para financiar o independente Tideland (2005), Gilliam pediu esmola nas ruas de Nova York (foto abaixo), com um cartaz que dizia: “Cineasta sem estúdio. Famíla para sustentar. Dirijo em troca de comida”.

– As filmagens de The Man Who Killed Don Quixote, em 2000, tiveram de ser interrompidas para sempre por causa de uma série de problemas – cenários arrasados por tempestades, dificuldades de financiamento e uma grave doença que acometeu o ator Jean Rochefort, que interpretaria o personagem-título, à época. A “via crucis” do cineasta foi registrada no documentário Lost in La Mancha.

Isso tudo não surpreende quem se recorda da primeira grande incursão de Gilliam na direção. Ele simplesmente “sofre um ataque do coração” fulminante em frente às câmeras no hilário Monty Python em Busca do Cálice Sagrado (1975). A clássica cena do “animador da Besta Negra” pode ser (re)vista abaixo.

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