O pai do horror explícito

Há 46 anos um diretor de filmes B produzidos para exibição em cinemas drive-in criou o horror gore, mostrando assassinatos de uma forma escandalosamente gráfica nas telas, com direito a closes em membros decepados e muito sangue falso. Herschell Gordon Lewis ganhava a vida na década de 1960 assinando para o produtor David F. Friedman películas baratas cheias de nudez a fim de animar os jovens casais que lotavam os drive-ins. Mas a fórmula se desgastou. O público já se acostumara às mulheres nuas que apareciam na tela a cada dez minutos, intervalo criado para não incomodar a pegação dos casais em seus automóveis.

Foi então que Gordon Lewis e Friedman resolveram ousar e incluir banhos de sangue à nudez em seus filmes. Daí nasceu Blood Feast (lançado por aqui apenas em VHS, com o título Banquete de Sangue), sobre um serial killer egípcio que mutila suas vítmas a fim de preparar uma “refeição” que servirá de oferenda a uma deusa. Confira o trailer abaixo.

O longa fez um relativo sucesso, foi detonado pela crítica, mas, com o passar do tempo, foi adquirindo notoriedade como o primeiro filme de horror explícito. Diretor e produtor voltaram a repetir a fórmula com 2000 Maniacs! (1964) e Color me Blood Red (1965), mas decidiram abandonar o filão com medo da saturação, já que muitos similares surgiram depois de Blood Feast.

Sem a colaboração de Friedman, Gordon Lewis ainda reutilizaria a fórmula em produções como Wizard of Gore (1970), versão splatter de O Mágico de Oz. Apesar de praticamente aposentado, o diretor se reuniu com o antigo parceiro em 2002, justamente para realizar a sequência de sua obra mais famosa: Blood Feast 2: All U Can Eat.

A despeito da pouca qualidade cinematográfica de seu trabalho, o legado da obra de Gordon Lewis é óbvio. Não fosse por ele, não veríamos efeitos tão grotescos — e divertidos para os fãs do gênero — como os da foto abaixo, dos bastidores da refilmagem de Piranha, dirigida pelo francês Alexandre Aja (de Viagem Maldita, interessante remake de Quadrilha de Sádicos), divulgada na última semana pelo site da revista “Fangoria”.

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