Enfim, Halloween de Rob Zombie chega ao Brasil

No post anterior, escrevi sobre a demora no lançamento de À Prova de Morte. A “reinterpretação” de Halloween assinada por Rob Zombie enfrentou atraso quase idêntico. Lançado em 2007 nos EUA, o longa só chega aos cinemas do país nesta sexta-feira (24).

O original, dirigido por John Carpenter em 1978, começa com um menino assassinando sua irmã mais velha. Anos depois, o garoto, Michael Myers, já crescido, foge da instituição em que estava preso e volta à sua cidade natal para espalhar o terror na noite de Halloween.

Ao ser contratado pelo irmãos Weinstein para dirigir a refilmagem, Zombie foi “pedir a bênção” de Carpenter, que disse “torne-o um filme seu”. E foi o que ex-vocalista da banda White Zombie fez.

Para Carpenter, menos é mais, tanto na forma quanto no conteúdo. Ele não estava preocupado em explicar as causas do surto psicótico do pequeno Myers. Sua ideia era torná-lo ainda mais assustador por desconhecermos suas intenções. Por isso mesmo, o personagem recebeu o apelido de “shape” (forma, corpo). Era uma máquina de matar, desprovida de sentimentos, de qualquer sinal de humanidade, que se existe está oculta por detrás de uma máscara inexpressiva. Estilísticamente falando, o famoso tema musical minimalista, composto pelo próprio diretor, e sua opção por não ser muito explícito nas cenas de assassinato (Massacre da Serra Elétrica, rodado 3 anos antes, era muito mais violento) deixam clara essa intenção de simplificar ao máximo o filme para se concentrar no suspense.

Rob Zombie, então, seguiu o conselho do mestre e foi por uma direção totalmente oposta, sem, no entanto, desrespeitar o filme original. Na nova versão vemos o ambiente opressivo em que vive o pequeno Myers, acompanhamos seu processo de encrudescimento na instituição psiquiátrica e sua explosão de fúria ao fugir do lugar onde passou 17 anos para, claro, tocar o terror em Haddonfield, sua cidade natal.

A primeira parte do filme, justamente a que Zombie toma mais liberdade com relação ao material de Carpenter, é a melhor. Apesar da fórmula manjada, a origem do vilão é bem apresentada e como era de se esperar, não poupa o espectador. Antes de ser encarcerado, o jovem Myers promove uma matança com requintes de crueldade. O segundo ato, no hospital psiquiátrico, também reserva bons momentos, em especial do ator mirim Daeg Faerch, que fica parecido com um membro do “fã-clube infanto-juvenil” da banda Slipknot ao criar diferentes máscaras para cobrir sua face que alterna inocência e insanidade.

O Michael Myers adulto é “interpretado” por Tyler Mane, ex-lutador de luta livre (telecatch) que ganhou destaque ao encarnar o Dentes-de-Sabre no primeiro filme dos X-Men. Com 2,05 m de altura, Mane impõe mais respeito e mete mais medo que os Myers dos filmes anteriores. A cena em que ele foge do hospital seria perfeita se Zombie não tivesse incluído o risível assassinato de um carcereiro que tem uma espécie de “relação de amizade” com o psicopata.

A partir daí, com a consequente chegada de Myers a Haddonfield, Zombie se aproxima mais do filme de 1978, chegando a repetir enquadramentos de câmera usados por Carpenter. Apesar da homenagem, que inclui o uso da música-tema do Halloween original, a refilmagem cai na vala comum dos slasher movies, com Rob Zombie se rendendo aos velhos e batidos clichês do gênero. Apesar disso, há que se ressaltar que o roqueiro vem amadurecendo como cineasta. Quem viu os trabalhos anteriores de Zombie, A Casa dos Mil Corpos e Rejeitados pelo Diabo, sabe que ele adora um excesso visual, muito por influência de sua origem como ilustrador e diretor de videoclipes. Em Halloween – O Início, ele dá uma maneirada com o “estilo MTV”.

De toda forma, quem gosta de filmes de assassinos mascarados não vai se decepcionar. Aliás, quem gostar vai poder conferir a continuação Halloween 2, também dirigida por Rob Zombie, daqui a alguns meses. A Playarte promete lançar a sequência no dia 30 de outubro.

8 Comments

  1. Odiei o filme.
    Deturpou o personagem, criando um histórico familiar rídiculo, com o fim de justificar suas ações, sendo que no filme original se tratava de uma família normal ……

    Que b#

  2. qual a censura desse filme??? por favor;
    okay valeu e…..
    FUI !!

  3. ridiculo , rob zombie é meu pau

  4. não vejo a hora de assistir pois depois de sexta feira é o meu preferido, não importa a versão que tenha, não sou crítica de cinema, apenas gosto de terror, quem critica é porque não curte.

    • concordo e estou com vc no comentario
      pau no cu das criticas e de quem nao gosta e que fica achando defeito em tudo
      o imporrante é o terror…etc..e eu adoro

  5. SÓ ASSISTINDO O FILME PARA SE TER UMA OPNIÃO COMCRETA, O TRAILLER NÃO ACRESCENTA EM NADA, MAS ESTE ROB ZOMBIE É O MESMO VOCALISTA DAQUELA BANDA INDUSTRIAL GOTHIC CHAMADA WHITE ZOMBIE??? EU GOSTAVA DO SOM DA BANDA .

  6. Para Lana: Verdade, Lana. Nesse ponto você tem total razão. No original não havia esse papo de que Myers era uma criança maltratada no lar e ridicularizada na escola. É como eu escrevi, a ideia do John Carpenter não era justificar as ações do Michael Myers, o que o torna ainda mais assustador. Abs e obrigado por acessar meu blog.

  7. Para JP: Sim, Rob Zombie foi vocalista da banda White Zombie, que chegou a tocar o Brasil na década passada.


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